Veio da Espanha uma convocatória para participação em exposição coletiva com o tema "Livro Azul". Um tema proposto é uma provocação profunda na criatividade porque nos desloca, aparentemente, de nosso tema natural. Demorei tanto para desenvolver a ideia que perdi o prazo de envio. A experiência foi valiosa em todos os sentidos. Descobri que um tema dado não anula um tema que povoa nossa mente. Testei meu próprio ritmo de criação e o processo que conduz essa criação ao resultado final. Apesar da lentidão, trilhei um caminho diferente na criação de imagens - a colagem, técnica com a qual eu não tinha intimidade. O resultado não chegou a satisfazer-me plenamente mas o processo abriu novos caminhos e provocou mudanças importantes no meu jeito de encarar desafios. Concluí o Livro Azul em formato sanfona, unindo harmonicamente o tema proposto com meu tema íntimo, o universo. Este foi o resultado.
Criar um livro que não lê mas vê. Sempre que inicio um livro de artista começo questionando esse termo. Na minha concepção de desse tipo de obra, o termo adequado seria LIVRARTE. Livre, livro, livrar, voar na arte. Este pequeno "livrarte" surgiu da ideia de voo. Não um voo qualquer, mas aquele voo que sonha. Aquele voo que um dia acontece, mesmo que seja numa outra forma. Quem mais representa isto do que uma borboleta, o símbolo da renovação, ou do renascimento? Livre para escolher a forma, veio a angústia de formatar leveza e liberdade atreladas a um livro. Encontrei do formato pop up a solução apropriada para voar. Foi um voo incerto, tímido, ainda preso a um fita, mas voei com a persistência do "gusano" dessa lenda belíssima que compartilho com vocês. "LA FUERZA DE LOS SUEÑOS" Había una vez un gusano que se había enamorado de una flor. Era por supuesto, un amor imposible, pero el animalito no quería seducirla ni ...



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