“Os contadores de histórias das
florestas falam de dois tipos de fome. Dizem que há a fome física e também a
Grande Fome. Esta é a fome por sentido. Existe apenas uma coisa insuportável:
uma vida sem sentido. Não há nada errado com a busca pela felicidade. Mas existe algo grande, o sentido, que é capaz de
transformar tudo. Quando você tem sentido,
você é feliz, você pertence.” (Sir Laurens van der Post, no
documentário Hasten Slowly
Conto histórias pra saciar a GRANDE FOME! Fome de sentido, fome de saber, fome de encontrar outros mundos e descobrir suas belezas. Conto histórias de um jeito diferente: usando imagens, palavras, dobras e tudo que faz sentido pra mim. A linguagem múltipla cabe num livro, um livro de artista. Não sei se este é o nome mais adequado, mas é o convencional. Para os teóricos da arte, um livro arte pode ser colocado em categorias e eles estão certos. Para mim, inquieta e curiosa, todos tem uma qualidade comum - são expressões das múltiplas histórias internas que, muitas vezes, não contei nem pra mim. Meus livros brotam em formas diversas. Hora são livros objeto, hora são dobras da vida, Hora são apenas tentativas de mudar a linguagem. As expressões da arte assumem muitos idiomas. Há a linguagem do poema, a do romance, as da música e seus muitos instrumentos, a das artes visuais; todas elas nos contam uma história.
Minha relação com livros começou na infância. Era bom ter um livro nas mãos e ideias na cabeça. Alguns contavam segredos, outros mostravam paisagens de sonhos, outros, ainda, os que eu não entendia, ficavam de lado. Cresci, adquiri novas linguagens, música, desenho, artes visuais. Minha curiosidade e inquietação contribuíram para com a busca de unidade dessas múltiplas formas de expressão. Encontrei no livro arte um aliado. Desde os primeiros contatos com esta multilinguagem a paixão só foi aumentando e abrindo caminhos de criação cada vez mais amplos.
Nessa página do Blog do Artificis contarei minha caminhada por este vasto mundo. Começando pelos primeiros passos, um livro pop up, criado como experimentação de juntar texto e imagem.
Minha primeira aventura como autora de livro foi motivada por uma paixão desse período - AS CONCHAS E CARACÓIS. Numa aventura na forma tridimensional, cometi dois erros estéticos: o primeiro foi na relação do tema com a forma do livro. Minha formação de arquiteta não impediu que criasse um objeto sem a devida integração de todas as variáveis mas ajudou a assumir esse erro. Explico: a temática "caracol" remete a formas orgânicas, curvas, ondas, espirais, movimento, mas coloquei tudo isto num formato quadrado. Poderia pensar que o contraste tem seu papel, mas nem mesmo pensei nesse detalhe. O segundo erro, foi a forma como introduzi o texto. Em artes visuais o texto deve ser parte da forma ao invés de deixar a forma como ilustração do texto. Esta é uma das componentes mais difíceis de compreender, sendo um erro comum nesse tipo de trabalho.
| Imagem do livro aberto onde é possível ver os textos, escritos à mão livre e as imagens que incluem infogravuras e desenho. |
| Páginas abertas do livro |
Esta primeira experiência teve a orientação da amiga e orientadora Mara Caruso, em aulas de infografia, no Ateliê Livre do Centro Municipal de Cultura/Porto Alegre.
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