
Em arquivos guardados, encontrei um desses registros cheios de significados: uma imagem que representa a força da união. Item quase esquecido nas escolas atuais, o trabalho em grupo representa não somente a aprendizagem básica de conviver mas a riqueza das trocas que só acontecem quando trabalhamos juntos. Na mesma imagem, O VALOR DA ARTE NA CONSTRUÇÃO E/OU RECONSTRUÇÃO DA VIDA aparece simbolicamente no círculo de mãos cuidadosamente pintadas. Entendo por "VIDA" tudo que compõe nossa existência: risos e tristezas, sonhos e decepções, vazios e ideias, emoções, crenças, amores. Do nascimento à morte temos que interagir com o universo no qual nos inserimos, todos os seus desafios, suas belezas, sua infinidade pressionando nossas limitações.
Na infância não imaginava chegar ao século XXI. Havia idosos com 50 anos, mães com 16, meninos que assumiam a vida adulta aos 18. Eram tempos de vida curta e expectativas ainda mais curtas. Esse tempo voou célere nas asas das ciências. Tecnologias inovadoras prolongaram a vida, ofereceram facilidades que não passavam de sonhos. O conhecimento do comportamento humano, ofereceu às mídias tal quantidade de informações que nos tornou reféns do consumo. Ganhamos tempo de vida e perdemos qualidade.
Nossas escolhas são, em grande parte, induzidas por propagandas abertas ou sutis. Cada passo que damos é seguido e registrado por tecnologias de última geração, que fornecem preciosas informações, devidamente manipuladas por algoritmos. Informações essas que traçam um perfil social e favorecem a criação de estratégias de controle cada vez mais sofisticadas. Temos alguma chance de escapar desse controle? A resposta é muito mais complexa do que parece. Dela dependem a liberdade das próximas gerações e suas chances de viverem minimamente felizes, seja qual for nossa ideia de felicidade.
Quando vejo discussões sobre educação, que virou tema de "conhecimento" geral nas redes sociais, a preocupação mais insistente é - COMO EVITAR QUE AS NOVAS GERAÇÕES TORNEM-SE ALVOS DO PODER, nem tão oculto assim? As críticas são de toda ordem, desde culpar este ou aquele governo, até comentários que desconhecem o que realmente significa EDUCAR.
Do latim, "educare" - educar, instruir” e também “criar”. Palavra composta por "EX", fora, e "DUCERE", guiar, conduzir, liderar. Envolve a ideia de que introduzir alguém ao mundo por meio da instrução era como “levar uma pessoa para fora de si mesma, mostrar o que mais existe dentro e além dela.
O conceito latino é de uma beleza fantástica. Esta seria a meta de toda a educação de qualidade e para isto precisamos de muito mais do que planos mirabolantes. Precisamos de professores preparados, espaços físicos adequados, inclusão social em todas as suas variáveis (desde satisfações básicas - alimentação, moradia, saneamento, assistência social, etc) até vontade política para formar cidadãos conscientes. Enganam-se os que pensam que educação não tem a ver com política. É a politica que formula a Constituição de qualquer país, e é na Constituição que se define que tipo de cidadão queremos formar e esta definição segue princípios do regime político de cada nação ou país. (Em tempo - já somos uma nação?)
Com absoluta certeza, a educação formal e/ou familiar no Brasil, tem falhas históricas que só podem ser corrigidas ao longo de muito tempo. Destruir o pouco que conquistamos, ao longo de muitos anos de acertos e erros, não é o caminho para construirmos uma nação livre e cuidadosa. Faço um pedido a todos os que compõem o atual governo: repensem com muito cuidado as medidas restritivas que estão tomando e considerem que recuperar o que vamos perder tomara o tempo de, pelo menos, 3 gerações. NÃO É DESTRUINDO O QUE EXISTE QUE VAMOS CHEGAR A BONS RESULTADOS. Com todas as falhas, a educação brasileira tem formado gente da mais alta competência. Não é possível desconsiderar os fatores positivos, em troca de oferecer literalmente NADA.
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