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Garatujas

GARATUJA - RABISCAR É EXPRESSAR VIDA.



Garatujas ou rabiscos – pra que servem?
Jane Maria Godoy B. 


Todos nós somos capazes de desenhar. Desde a infância, seja no papel, na areia ou na parede de casa, fazemos nossos rabiscos espontâneos. Eles nos ajudam a compreender o mundo ao nosso redor impulsionando nosso desenvolvimento, além de representarem um meio de expressão e de brincadeira livre e criativa. As pressões, a que os padrões socioeducativos nos submetem, criam o ambiente especial para que abandonemos esta ferramenta essencial colocada no cantinho dos estorvos na aprendizagem. Precisamos aprender linguagem, matemática, ciências, geografia, história; e o desenho, associado às artes e à estética, é sistematicamente deixado para os “talentosos”. Na verdade, escrever uma letra, é um desenho. Profissionais de diversas áreas precisam do desenho para desenvolver suas estratégias. Quem nunca rabiscou enquanto conversa ao telefone? Quem nunca traçou linhas num papel qualquer, ou na areia da praia, enquanto pensa em qualquer coisa ou em coisa nenhuma?
            Fomos condicionados a acreditar que “desenhamos mal” porque não nos enquadramos nos cânones acadêmicos de proporção, fidelidade ao real, composição estética, ou equilíbrio de cores. Assim, a maioria das pessoas abandona a ideia de desenhar. Mas o desenho é muito mais do que uma ferramenta de arte, é um meio de resolver problemas, visualizar ideias, analisar, criticar, melhorar e criar ideias novas. Ninguém deixa de escrever porque tem letra feia, mas deixa de desenhar se seus desenhos não correspondem aos ideais imaginados. Num mundo predominantemente visual, como o que vivemos neste século XXI, estamos aprendendo a interpretar imagens de forma superficial. Deixamos de rabiscar nossos pensamentos e emoções por medo de possíveis julgamentos ou interpretações levianas. A velocidade e o volume de imagens com que nosso cérebro é bombardeado todos os dias, através de inúmeros veículos, entorpece nossa capacidade crítica e nos torna agentes passivos de nossa própria existência. A maioria das pessoas sente-se incapaz de interpretar, de forma crítica, a sobrecarga de mensagens virtuais; o que está realmente sendo transmitido ou que ideias subliminares acompanham estas imagens, ou ainda, que estereótipos nos impõem ou quais estratégias estão usando para manipular-nos?
         Estas questões nos levam a repensar a importância da alfabetização visual entendida como habilidade de produzir e ler imagens. Uma etapa essencial para desenvolver estas habilidades é a garatuja, ou o rabisco, aquele mesmo que qualquer criança é capaz de fazer. O desafio da semana é brincar!

De lápis e papel na mão, queremos que você provoque sua criança interior, liberte sua mão e sua mente, faça uso da imaginação e da liberdade. Ouse registrar aqueles movimentos presos em sonhos e em medos. 
Garatuja - Jane Maria Godoy B.



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