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A magia do desenho

Sempre soube intuitivamente que o desenho é uma atividade que vai muito além de colocar linhas no papel. Desenhar é perceber o mundo com algo mais do que simplesmente ver. Quando vemos alguma coisa, uma mancha, uma paisagem ou uma parede, nosso olhar não se limita ao imediato. Aprender a desenhar é uma atitude de ver além. E ninguém menos do que Leonardo da Vinci registrou isto em seu Caderno de Notas. 

"Não posso me abster de mencionar...um novo truque para o estudo que, embora possa parecer trivial e quase risível, é contudo extremamente útil porque desperta a mente para diversas invenções. Eis o truque: ao olhar para uma parede cheia de manchas...você pode descobrir você pode descobrir uma semelhança com diversas paisagens, embelezadas por montanhas, rios, rochas árbores. É possível, também, ver batalhas e figuras em ação, ou rostos e vestimentas estranhos, e uma vareidade infinita de objetos que você pode transformas em em formas completas e bem desenhadas." (Citado em: ROBERT McKIM, Experiences in Visual Thinking, 1972; BETTY EDWARDS, Desenhando com o Artista Interior - 2002 

Voltando à programação do Artificis para 2016, encontrei esta maravilhosa afirmação que reforça minha convicção dos benefícios do desenho. Aprender a desenhar é aprender uma outra forma de escrita. Que sabe escrever, sabe desenhar, mesmo que não saiba disso. Desenhar não deveria ser privilégio de artistas ou dos que nascem com o "dom". Para estes o desenho representa um instrumento de trabalho. Desenhar, para os que exercem qualquer outra profissão, é uma ferramenta de desenvolvimento interior que facilita a compreensão, não apenas do que vemos, mas de nossa própria atitude frente ao que vemos - como percebemos, como interpretamos e como vivenciamos o mundo externo. 

bico de pena - desenho de Jane M. Godoy B.

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