OFICINA DE
CRIATIVIDADE NO ARTIFICIS 2014
Jane Maria Godoy B. –
Educadora, Arteterapeuta, artista plástica, arquiteta
e orientadora de artes e criatividade.
Ao
reiniciarmos as atividades do ano faz-se necessário uma curta explanação do
pensamento que embasa nossas propostas.
A
experiência estética começa nos sentidos e deles depende. Sua continuidade
resulta em percepção sensorial aguçada e tem, como principal efeito, aumentar
as potencialidades do indivíduo face às possibilidades do que está diante dele.
Nesta experiência incluímos reações emocionais, tais como alegria e admiração,
e empregamos todos os níveis de consciência para a ação. Desenhar, pintar e
construir, são faces de um processo complexo no qual reunimos diversos
elementos de nossa experiência para formarmos um novo e significativo todo. No
processo de selecionar, interpretar e reformar estes elementos, o indivíduo
proporciona mais do que um quadro ou uma escultura - proporciona parte de si
mesmo; como pensa, como sente e como vê a si próprio e ao mundo que o cerca.
Para pessoas de qualquer idade a arte é uma atividade dinâmica e unificadora.
Nossa
sociedade, com seu avanços tecnológicos, parece induzir-nos a confiar cada vez
menos no contato sensorial direto, real, com o nosso meio. Converte-nos em
espectadores passivos da cultura, em vez de construtores ativos. Jogos esportivos
são para serem assistidos, não jogados. A música transformou-se num xarope
calmante como fundo para as compras nos shoppings, ou em sons cujos altíssimos
decibéis ensurdecem sem criar um envolvimento real. Frente à televisão, o único
papel do espectador é apertar botões. Os games e celulares entorpecem os
sentidos criando uma realidade virtual envolvente e escravizante. Sendo uma
usuária assídua desses recursos tecnológicos, reconheço sua força e sei o
quanto podem ser facilitadores de muitas ações fundamentais do nosso dia-a-dia.
A internet e todos os “I” são recursos
extraordinários que tem todas as qualidades para enriquecer nossas vivências,
basta apenas que não se percam de vista os elementos reais da vida.
Lamentavelmente o que ocorre é diferente.
Cada
dia mais, a comunicação direta é substituída pela comunicação virtual gerando
uma leva de seres robotizados, para os quais o número de contatos tem mais
significado do que a qualidade das amizades reais. Estamos aprendendo conteúdos muito mais
filtrados pelos interesses comerciais do que pelos nossos interesses pessoais,
o que tem minado nossa capacidade crítica de uma forma assustadora. Sons e
cores padronizados para atender a média, limitam nossa experiência visual,
privando-nos dos infinitos sons e cores do mundo natural. Perdem-se na memória
não só as variedades de cores e sons, mas também de cheiros e sensações táteis.
Quem presta atenção ao cheiro da terra molhada, do café recém moído ou do limão
que acaba de cortar? Quem se lembra de abraçar ou simplesmente tocar num amigo
como um simples gesto de carinho?
A
produção em massa, a educação de massas, a visão de massa, e a massa de
informações "enlatadas" jogadas para a "massa", estão
suprimindo as relações sensitivas entre indivíduos e entre indivíduos e seu
meio, embotando, com isto, a consciência do mundo real. Sem sensibilidade não
há intuição e sem intuição não há criatividade. Transformamo-nos em
consumidores - em estatística. Não somos mais agentes de nosso próprio destino.
Não há como voltar atrás e ignorar os
avanços tecnológicos, mas podemos controlar o uso que fazemos deles ao invés de
deixarmos passivamente que eles nos controlem.
O contato com os processos artísticos pode e
deve fazer parte da formação do cidadão. Através deste contato podemos
desenvolver a sensibilidade e a consciência crítica, necessárias para tornar a
vida satisfatória a significativa. A educação artística ajuda o sujeito a saber
o que pensa, a dizer o sente e a participar ativamente na construção de seu
mundo.
“Pelo fato de
termos órgãos dos sentidos é que chegamos à natureza externa, são nossos olhos
que nos permitem ter o conhecimento da multiplicidade do mundo da luz e das
cores, por exemplo. Porém é o sentido artístico, que capta o que é belo, que
nos permite perceber o homem e o conhecimento, é pelo brilhar do espírito na
matéria que se nos revela a arte.
Para se compreender o ser humano é necessária uma arte de ideias e não apenas um captar abstrato delas através da ciência; faz-se preciso uma visão artística interior para ver a entidade do homem, pois a arte verdadeira é algo que atua sobre o crescimento, a saúde e o progresso do homem.” (do site “Biblioteca Antroposófica)
Para se compreender o ser humano é necessária uma arte de ideias e não apenas um captar abstrato delas através da ciência; faz-se preciso uma visão artística interior para ver a entidade do homem, pois a arte verdadeira é algo que atua sobre o crescimento, a saúde e o progresso do homem.” (do site “Biblioteca Antroposófica)

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