O corpo que vive o não dito, o proibido, o
inominável. Que não sabe falar-se nem olhar-se se não o fizer através dos
outros, os outros a quem se entrega. Um corpo de carne e cansaço que oculta
suas zonas de carência, fechado aos desejos afetivos. Dono do drama, descoberto
diariamente, silencia...recolhe-se e se
ausenta, mas volta a toda hora. Reconhece seu silêncio, intui, mas não mostra...De vez em quando olha o espelho, mas fecha os
olhos, sente o impulso doméstico. Inabilitada para conhecer-se segue o
itinerário disposto e se esforça por domesticar seus próprios receios. Mas a
dor lhe murmura desde regiões de seu corpo. Acomoda, como todas as noites, as
bordas do travesseiro e antes que o relógio volte a soar, olha a fresta de sua
caixa...
Construir um auto-retrato é um exercício de olhar para dentro e ao mesmo tempo de buscar referências ou provocações externas que levem ao auto-conhecimento. Um livro de artista que pretenda abordar o tema, só tem um caminho - ser profundamente honesto. Não importa o que descubra a meu respeito, mesmo que oculte, vai transparecer em imagens criadas ao longo das páginas. Se vou encontrar o silêncio ou se vou encontrar ruídos, ou ainda, se vou encontrar a música do universo ocultos na caixa, vai depender da coragem para desbloquear os acessos. Não encontrei o autor ou autora do texto acima, mas a intensidade das palavras já foi suficiente para desencadear a curiosidade. Começa o processo!

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