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COMUNICAÇÃO ARTÍSTICA
Jane M. Godoy Becker
ARTIFICIS ATELIER - Desenho; Livro de Artista; Arteterapia

 ESPAÇO - EQUILÍBRIO- FORMA - COR - RITMO - o conteúdo da obra de arte é sempre uma estrutura complexa, na qual se reúnem diversos elementos da experiência pessoal do artista, para formar um conjunto com um novo significado. Não nos referimos à complexidade como mero acúmulo de dados e sim como qualificação estrutural significativa e, por isso mesmo, essencial. Em arte não há respostas prontas nem fáceis.
            A complexidade da obra de arte, no entanto, não obstrui sua comunicabilidade. Numa verdadeira obra de arte os elementos de comunicação espacial preservam-se intactos através do tempo e do espaço. Podemos apreciar e interpretar as mensagens visuais originárias das mais remotas épocas ou dos mais diferentes povos ou locais cuja linguagem, falada ou escrita, desconhecemos. Obras da pré-história, etruscas, egípcias, chinesas fazem sentido para nós - são legíveis, pois seu conteúdo expressivo não se articula de maneira verbal e sim de maneira formal, isto é, através de formas. Este caráter não verbal da comunicação artística constitui o motivo concreto da arte ser tão acessível - sua compreensão não exige erudição, mas inteligência e, essencialmente - sempre - sensibilidade.
             No processo de selecionar, interpretar e reformar os elementos de sua experiência, o artista, em qualquer época ou lugar nos apresenta, através de sua arte, um pouco de si mesmo e de sua cultura. A arte é uma atividade dinâmica e unificadora.
            “Quando vemos uma jarra de argila produzida há cinco mil anos por algum artesão anônimo, algum homem cujas contingências de vida desconhecemos e cujos valores dificilmente podemos imaginar, percebemos o quanto este homem, com um propósito bem definido de atender certa finalidade prática, talvez a de guardar água ou óleo, em moldando a terra, moldou a si próprio. Seguindo a matéria e sondando-a quanto à essência de ser, o homem impregnou-a com  a presença de sua vida, com a carga de suas emoções e de seus conhecimentos. Dando forma à argila, ele deu forma à fluidez fugidia de seu próprio existir, captou-o e configurou-o. Estruturando a matéria, também, dentro de si, ele se estruturou. Criando ele se recriou.”*

BIBLIOGRAFIA
OSTROWER, Fayga - *Universos da Arte
                                     *Criatividade e Processos de Criação

LOWENFELD, Victor - Desenvolvimento da Capacidade Criadora

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