Mais uma revirada no baú e encontrei esses registros que fazem parte de uma história muito significativa na minha trajetória pela arte do desenho. Foi uma das fases mais produtivas da minha aprendizagem, na época sob orientação de Carmem Morales, um dos pilares importantes na construção do meu trabalho. Prematuramente falecida, Carmem foi uma mestra provocadora. Estes desenhos resultaram de uma proposta ao mesmo tempo instigante e perturbadora de sua fantásticas aulas de desenho.
"Quero que façam uma caixa, disse ela. Disse apenas isso, mas as reações que surgiram foram impressionantes. No meu caso, imaginei logo uma caixa de sapatos. Mas não durou muito a ideia. Logo pensei; uma caixa não tem que ser fechada. Conversando com Carmem, questionei o porque de uma caixa fechada? Ela respondeu; - "Quem disse que tem que ser fechada?" A ficha caiu e eu comecei a construção da caixa, da minha caixa. Minha caixa aberta tinha apenas as arestas, construídas com arame, para que nada ficasse escondido. De volta à aula, a tarefa era desenhar nossa caixa. Os resultados foram esses. Não estão em ordem cronológica, mas representam uma sequência de imagens na qual fui descobrindo a caixa da vida com seus extremos - nascimento e morte - simbolicamente representados nos conteúdos da caixa.
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| Surge o ninho |
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| Os planos infinitos do universo |
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| A caixa ainda vazia |
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| O extremos |
Não sei se tive outros momentos tão intensamente criativos quanto este, mas agora sei que tenho uma meta a superar.
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