Pular para o conteúdo principal

Tempos de mudanças - Postagem 1




Tem dias em que a vida nos provoca de tal maneira que todas as nossas certezas são confrontadas e diante do espelho torna-se impossível não enxergar, não a face refletida, mas a face real. É como se o reflexo no espelho encarasse sua origem e perguntasse - Por que demorou tanto para acordar? Uma semana de diálogos profundos, por vezes irritantes, outras vezes assustadores, mas em todo tempo instigantes, coincidiu com uma ânsia intensa por mudanças. Talvez o termo mais correto fosse sincronicidade em vez de coincidência. Em meio a tanta desordem, entendi que mudança, é uma atitude que envolve o todo. Não há como mudar uma parte, sem mudar o resto. O Artificis precisava mudar junto. 
Não sou uma pessoa ligada a assuntos astrológicos, mas o que li sobre a Lua Vermelha, fenômeno astronômico ocorrido na semana passada, levou-me a questionar sobre o significado de tanta turbulência numa mesma semana. Libra é o meu signo, por isso peço licença ao site "Astrologia - percepções astrológica" para reproduzir aqui no blog do Artificis partes do texto postado poucos dias antes da Lua Vermelha.

"Hoje a Lua continua em Libra, já a poucas horas do eclipse total que ocorrerá na próxima madrugada, as 04h45min (horário oficial de Brasília). E nas próximas semanas, teremos a fortíssima influência da grande cruz formada por Júpiter, Urano, Plutão e Marte Rx, o que significa momentos de ânimos acirrados, uma sensação de peso no ar, de reações inesperadas, mobilizações, impulsos irascíveis, “vai ou racha”........Ao mesmo tempo, estamos em momento de libertação – é a hora certa dos rompimentos de padrão, onde nossas palavras e ações ganham potência, a hora da virada de atitude, como se tivéssemos o mesmo poder de comunicação de nossos desejos ao cosmos, só que numa frequência muito alta. Isto trará, aos mais sensíveis, uma sensação de “estática” no ar, como se muitas vozes falassem ao mesmo tempo, a insatisfação coletiva e individual se soma, como se pudéssemos ouvir os pensamentos alheios, em cadeia........... terá os próximos sete dias de muito trabalho, pois o psiquismo está operando como se estivesse ligada a uma imensa torre de energia, tudo está ampliado...........Nosso corpo nos entregando, nossas palavras nos traindo, acordos que desabam. Mas isto acontece por acaso? Urano, Netuno e Plutão funcionam como registradores de nossa consciência, acumulando as impressões subjetivas que nem sempre prestamos atenção. E Urano funciona como o catalisador, o que aciona a faísca da desestruturação, o que revela os desejos que não temos coragem de assumir, os problemas que não procuramos resolver conscientemente, mas que alimentamos, por uma considerável tempo, o desejo da mudança, da liberação....No entanto, para os que se dedicarem às práticas terapêuticas e/ou espirituais com mais afinco, o período promete descobertas estonteantes, perturbadoras, mas, ao mesmo tempo, libertadoras, transcendentais. No entanto, o que não é conscientizado, comunicado – intencionalmente procrastinado ou não – vem e contradiz tudo que tentamos disfarçar, para nós mesmos e para os outros. “O Rei está nu!”. Maldade do destino? Não: falta de autoconsciência, de prática na percepção da intencionalidade que nem sempre deixamos claros para nós mesmos, num anseio de aceitação alheia, porque não aprendemos a lidar com a rejeição, com o fato de que não podemos ser aceitos e amados todo o tempo. 

De destruidora, a deusa indiana Kali, em sua história mística, acaba se convertendo na dimensão da Mãe Divina, protetora dos que se empenham na disciplina da autoconsciência. Nunca a velha máxima do “vigiai e orai” se fez tão real e necessária. Tempos fascinantes se aproximam. A mesma luz irresistível que nos queima as retinas, é a que nos liberta, dependendo do desejo de cegueira ou de transcendência. Trans-mudar: uma nova forma de ser, descobrir que “ser” é uma possibilidade infinita."

A intensa sincronicidade entre essas afirmações e o momento vivido, foram determinantes na captação da energia necessária para mudar realmente. E a mudança começou por desarrumar, ou melhor, tirar do baú tudo que estava guardado. Reencontrei no meu baú de guardados imagens que representam várias fases da minha caminhada com a arte e elegi alguns para compartilhar com vocês um pouco dessa trajetória.

Animais no pasto - pastel oleoso

Animais no pasto - grafite

Animais no pasto - carvão

Estes três acima, são dos mais antigos, observação reprodução faziam parte dos exercícios.


Acredito ser importante para quem trabalha com arte e, especialmente arteterapia, manter um intenso e renovador contato com as próprias mudanças, e mudanças não acontecem sem sofrimento, ansiedade e cansaço. Compartilhar esse processo é uma forma de mostrar que processos artísticos nos ajudam a conviver com os altos e baixos da roda da vida sem perdermos de vista os momentos de equilíbrio. Todos esses momentos repletos de energia, cuja direção e sentido nós temos que determinar, tomando as rédeas do destino.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Deixando voar uma borboleta

Criar um livro que não lê mas vê.       Sempre que inicio um livro de artista começo questionando esse termo. Na minha concepção de desse tipo de obra, o termo adequado seria LIVRARTE. Livre, livro, livrar, voar na arte. Este pequeno "livrarte" surgiu da ideia de voo. Não um voo qualquer, mas aquele voo que sonha. Aquele voo que um dia acontece, mesmo que seja numa outra forma. Quem mais representa isto do que uma borboleta, o símbolo da renovação, ou do renascimento? Livre para escolher a forma, veio a angústia de formatar leveza e liberdade atreladas a um livro. Encontrei do formato pop up a solução apropriada para voar. Foi um voo incerto, tímido, ainda preso a um fita, mas voei com a persistência do "gusano" dessa lenda belíssima que compartilho com vocês.    "LA FUERZA DE LOS SUEÑOS"      Había una vez un gusano que se había enamorado de una flor.  Era por supuesto, un amor imposible, pero el animalito no quería seducirla   ni ...

POR QUE DESENHAR?

O texto abaixo, escrito por Fabio Mestriner, aponta o significado do desenho desde a pré-história até os dias de hoje. Dele selecionei apenas os aspectos mais significativos que, ao meu ver, apontam o valor do desenho de forma clara e abrangente. Desenho a bico de pena, 50x50cm - 2007 Autor: Jane Maria Godoy B.   O INESTIMÁVEL VALOR DO DESENHO   01/12/2015  ARTIGO   POR  FABIO MESTRINER Embora possa haver dúvidas e diferentes interpretações sobre suas intenções, o gesto está lá, gravado na pedra do tempo como registro indelével de que ali estiveram homens. Ainda que primitivos e no início de sua jornada, eles existiram e deixaram as toscas marcas que os incluíram na história da humanidade. Os petroglifos, sinais ou figuras singelas gravadas na rocha são considerados as primeiras expressões deixadas pelo homem pré-histórico. Algumas destas marcas são imagens reconhecíveis, é possível perceber homens e alguns de seus objetos, animais, o sol, a lua, as est...

Em busca de caminhos em tempos de mudanças

Como caminhar por difíceis caminhos, as vezes escuros, as vezes íngremes, as vezes isolados? O mundo dividido em duas direções, como se fosse uma linha única, esquecidos que estamos de que o espaço é multidimensional e são muitas as direções possíveis. Talvez a primeira atitude seja parar, respirar fundo e olhar em todas as direções com olhos atentos. Descansar dessa realidade confusa, que nos empurra em direções opostas, é condição para escolhermos caminhos mais claros e mais empáticos. Não podemos abraçar? Não, mas ainda podemos falar. Reunir a família pode? Na maioria dos casos não pode, mas pode lembrar de ligar, mandar mensagem, deixar claro que "EU ESTOU CONTIGO, TE QUERO BEM, VAMOS RESISTIR JUNTOS. Não pode aglomerar? Também não, mas pode estar junto usando as devidas precauções. Não temos governos competentes? Lamentavelmente não, mas temos livre arbítrio para buscar o que precisamos, para exercitar a empatia que nos torna mais humanos, mais solidários e, com certeza, meno...