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Compartilhando o mundo virtual

Não faz muito tempo que a produção de imagens era assunto para desenhistas, fotógrafos, pintores, desenhistas gráficos, desenhistas de quadrinhos, todos profissionais que dependiam de um trabalho quase "braçal" para chegar a algum resultado. Cada recomeço, cada falha, envolvia muitas horas de experimentação, consumo de materiais quase sempre caros, sobreposição de camadas e camadas de tinta, para chegar à solução satisfatória. Enquanto o mundo das comunicações transformava a cara do planeta em velocidade vertiginosa rumo à "civilização do audiovisual", a produção artística, pressionada pelo surgimento de mais e mais recursos parece perdida em meio às mudanças. A velocidade imposta às comunicações contaminou o meio artístico oferecendo um novo recurso de criação e divulgação de imagens que desafia, intriga e produz reações intensas, contra e/ou a favor das novas propostas.
Durante minha caminhada, já longa, passei por tantos desafios de mudanças que pensei, em alguns momentos, que não teria fôlego para acompanhar. E, realmente, hoje tenho certeza de que posso assimilar muitas coisas e não posso assimilar outras tantas, mas minha natural curiosidade não me permite deixar de tentar participar deste mundo novo, mesmo que seja apenas em parte dele. Não ouso dizer que hoje é melhor ou é pior do foi há alguns anos. Cada época tem seu brilho e sua sombra. Somos uma sociedade de seres imperfeitos e sempre haverá o que louvar e o que consertar. Evoluir é consequência de nossas lutas e para lutar por algo precisamos fazer parte do contexto. Foi com esta certeza que, no ritmo possível fui contactando com os novos recursos e, esta imagem, foi um dos primeiros resultados que consegui obter utilizando apenas ferramentas do Photoshop 7, na época a versão "da hora". Desde aí, fui descobrindo como somar desenho, colagem, fotografia, na busca de resultados, para mim, angustiantemente provocadores. Alguma coisa muda todo o dia, e sei que é impossível assimilar tanta novidade, mas não me conformo e ver passar o trem. De vez em quando embarco e dou uma voltinha.

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