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Arte, uma outra comunicação possível


 

COMUNICAÇÃO ARTÍSTICA

Jane M. Godoy Becker

ARTIFICIS ATELIER - Desenho; Livro de Artista; Arteterapia

 

 ESPAÇO - EQUILÍBRIO- FORMA - COR - RITMO - o conteúdo da obra de arte é sempre uma estrutura complexa, na qual se reúnem diversos elementos da experiência pessoal do artista, para formar um conjunto com um novo significado. Não nos referimos à complexidade como mero acúmulo de dados e sim como qualificação estrutural significativa e, por isso mesmo, essencial. Em arte não há respostas prontas nem fáceis.

 “... sou radicalmente contra as tendências de massificação e aos métodos da chamada popularização da arte - como os famosos cursinhos de meia dúzia de respostas fáceis. Respostas prontas para tudo, ou antes, respostas pré - fabricadas para problemas pré - fabricados. Alega-se constituir esta uma forma de ensino acessível às massas e único método prático de educação artística. Ao contrário, vejo um método de deseducação, ligado a uma atitude, no mínimo, de indiferença para com aqueles a quem se dirige o ensino... Na pseudo simplicidade, nessa redução simplista dos problemas a um denominador comum mais baixo, falsifica-se tudo o que pode ser natural curiosidade, indagação e questionamento autêntico a respeito dos fenômenos da vida. O saber se reduz a fórmulas ocas, inúteis. E, não só se faz de conta que já se chegou a todo o conhecimento de todas as respostas, como também, se desestimula o processo de aprendizagem através de indagações e hipóteses. Elimina-se o ser inteligente e sensível das pessoas”. *

            A complexidade da obra de arte, no entanto, não obstrui sua comunicabilidade. Numa verdadeira obra de arte os elementos de comunicação espacial preservam-se intactos através do tempo e do espaço. Podemos apreciar e interpretar as mensagens visuais originárias das mais remotas épocas ou dos mais diferentes povos ou locais cuja linguagem, falada ou escrita, desconhecemos. Obras da pré-história, etruscas, egípcias, chinesas fazem sentido para nós - são legíveis, pois seu conteúdo expressivo não se articula de maneira verbal e sim de maneira formal, isto é, através de formas. Este caráter não verbal da comunicação artística constitui o motivo concreto da arte ser tão acessível - sua compreensão não exige erudição, mas inteligência e, essencialmente - sempre - sensibilidade.

             No processo de selecionar, interpretar e reformar os elementos de sua experiência, o artista, em qualquer época ou lugar nos apresenta, através de sua arte, um pouco de si mesmo e de sua cultura. A arte é uma atividade dinâmica e unificadora.

            “Quando vemos uma jarra de argila produzida há cinco mil anos por algum artesão anônimo, algum homem cujas contingências de vida desconhecemos e cujos valores dificilmente podemos imaginar, percebemos o quanto este homem, com um propósito bem definido de atender certa finalidade prática, talvez a de guardar água ou óleo, em moldando a terra, moldou a si próprio. Seguindo a matéria e sondando-a quanto à essência de ser, o homem impregnou-a com  a presença de sua vida, com a carga de suas emoções e de seus conhecimentos. Dando forma à argila, ele deu forma à fluidez fugidia de seu próprio existir, captou-o e configurou-o. Estruturando a matéria, também, dentro de si, ele se estruturou. Criando ele se recriou.”*

 

BIBLIOGRAFIA

OSTROWER, Fayga - *Universos da Arte

                                     *Criatividade e Processos de Criação

LOWENFELD, Victor - Desenvolvimento da Capacidade Criadora

 

 

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