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Oficina com 6h de duração. Investimento R$100,00. Materiais: régua, compasso, lápis comum, 4 folhas de papel tipo canson, tamanho A3. Você vai aprender as divisões básicas do círculo e suas possibilidades na criação de mandalas. Nada de susto, a proposta é simples e pode ser aprendida sem dificuldades.


MANDALA – UM EXERCÍCIO ANTI-STRESS
Pesquisa e resumo – Jane Maria Godoy B.
Artificis Atelier - 21012

O termo “Mandala”
            Oriunda de uma palavra da língua sânscrita, falada na Índia antiga, mandala significa “    círculo”, podendo ser traduzida também como “o que contém a essência” – manda = essência e La = conteúdo “a esfera da essência” ou o círculo da essência. O termo se refere a uma figura geométrica em que o círculo está circunscrito num quadrado, ou o quadrado, inscrito no círculo. A figura pode conter ainda subdivisões, mais ou menos regulares, em quatro ou múltiplos de quatro. Parece irradiada do centro ou convergir para ele dependendo da percepção do observador. Em certas tradições religiosas pode representar a manifestação espacial do divino ou “uma imagem do mundo”. Citando Jung: “A palavra sânscrita mandala significa círculo no sentido habitual do termo. No âmbito dos costumes religiosos e da psicologia, designa imagens circulares que são desenhadas, pintadas ou configuradas plasticamente, ou dançadas”.
            A forma do círculo nos remete ao isolamento seguro do ventre materno. É algo como uma linha de proteção ao redor do espaço físico e psicológico que identificamos como nós mesmos. Ao construirmos uma mandala, criamos um espaço sagrado de proteção, um foco para a concentração de nossas energias mentais e emocionais. O exercício da mandala pode despertar a intuição e direcionar a energia mental para um determinado objetivo, facilitando a harmonização entre intuição, vontade e razão, abrindo caminho para um maior nível de consciência. Criar e/ou contemplar uma mandala auxilia a desbloquear emoções e sentimentos, ativando e canalizando energias, melhorando nossa harmonia interna.
            Profundos estudos realizados por Jung atribuíram às mandalas o status de “elemento material” capaz de fazer a integração entre a realidade aparente e as esferas superiores. Tais esferas podem ser vistas tanto como fontes divinas de nossa existência, quanto como um processo de individuação. Para Jung meditar, contemplar, sonhar com mandalas é parte natural do processo de individuação. O círculo desenhado pode conter e, até mesmo, atrair partes conflitantes da natureza individual, constituindo-se num aliado na descarga de tensões e na reorganização interna necessário ao restabelecimento do equilíbrio.
            Como recurso anti-stress, a mandala está, quase sempre, relacionada ao desbloqueio ou despertar de sentimentos e sensações com que temos dificuldades para lidar. A criação de uma mandala pessoal funciona como foco de contemplação ou meditação, ajudando a canalizar determinados tipos de energias que têm o poder de equilibrar nosso estado físico, mental, emocional e espiritual, já que figuras e símbolos que entram na sua composição expressam e vibram energias próprias de quem as cria.
            Uma mandala pessoal é um retrato personalizado, sendo útil como fonte de concentração e inspiração; gera harmonia entre consciente e inconsciente, auxiliando na auto-compreensão e sintoniza com as correntes construtivas e evolutivas da vida e do cosmos.
            As mandalas e suas energias positivas
Desde os primórdios da humanidade temos buscado contato com as forças do universo. A forma circular, representativa da mandala, encontra-se em vários elementos naturais – flores, conchas do mar, sementes, pedras, árvores, na íris dos olhos, nos cristais de gelo, na gravitação do nosso sistema solar. Como símbolo, a mandala está associada à analogia da totalidade, da união, proteção e integração.
            Pode-se afirmar que “as mandalas se encontram igualmente na raiz de todas as culturas e em todo ser humano como padrão arquetípico de comportamento”.
            Qualquer pessoa pode criar mandalas. É um trabalho simples e ao mesmo tempo profundo, pois as mandalas vão colocando, de forma sutil, no lugar aquilo que se encontrava em desordem. Diz Jung – “a mandala possui uma eficácia dupla: conserva a ordem psíquica se ela já existe, e restabelece, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função estimulante e criadora.” Ao trabalhar com mandalas promovemos relaxamento psicofísico tanto pela postura ao desenhar, quanto pela contemplação e pela meditação que o próprio fazer proporciona. Desenvolvemos centramento e atenção, concentração, percepção, intuição e ordem.

Então, podemos dizer que a mandala serve para ativar, energizar, irradiar, concentrar, absorver, transformar, transmutar, curar e espiritualizar as pessoas que trabalham com elas; harmonizar um ambiente que se quer fazer especial ou até mesmo para conquistar algo que se quer alcançar.

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