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O INSETO

Revendo algumas fotos antigas repassei alguns momentos relevantes. Passagens da vida que ficam escondidas em algum cantinho da memória e retornam com força num pequeno detalhe. Numa tarde preguiçosa de clima ameno, sentada à frente de nossa casa do sítio, percebi um movimento diferente. Um pequeno recorte de pano, esvoaçando bem na minha frente em ondas suaves como um movimento de babados de seda, descreveu um grande círculo e pousou num pequeno graveto na minha frente. As ondas foram cessando devagar até que o pano descansou pendurado feito manto em torno do inseto. Corri para pegar minha máquina fotográfica com receio de não encontrar mais o extranho bichinho. Mas ele estava lá, no mesmo lugar e se deixou fotografar sem se perturbar com minha presença. Com muito cuidado fiz algumas fotos, ainda impressionada no o tinha diante de minhas lentes. Embora não tendo registrado o movimento em foto, ele permaneceu em minha mente como um filme muito vivo. O fato aconteceu há alguns anos mas a lembrança dele continua tão presente como se tivesse acontecido ontem e basta rever as fotos para a cena toda se repita com clareza impressionante. Tentei descobrir o nome do inseto (pelo menos eu imaginei que fosse um inseto). Conversei com muitas pessoas, observadoras da natureza como eu, e ninguém lembrava de ter presenciado nada parecido. Pensei em enviar as fotos para algum biólogo especializado e acho que ainda vou fazer isto. Descobri, com surpresa, que não estou muito certa de querer saber o nome científico desta obra de arte da natureza. A lembrança daquela vôo e o mistério que envolveu este episódio, parece ser muito mais rica do a classificação fria de filos, classes, espécies, etc, com que a ciência costuma rotular tudo o que existe na face da terra. Foi um momento de pura magia; uma descoberta única das mil faces deste universo que nos acolhe. A seda voadora foi embora. Nunca mais tive oportunidade de assistir aquele espetáculo. Como tantos outros momentos na vida, aquele foi único e ficou registrado nesta foto imóvel.
Imagem do pequeno animal. Ao centro pode-se perceber suas dimensões comparando com a grama em torno e a sombra do graveto em que pousou.

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